Agnaldo Leite do Sacramento

Patrono: Rui Barbosa
Cadeira 04


BIOGRAFIA

Agnaldo Leite do Sacramento nasceu em 10 de Novembro de 1946, na cidade de  Nova Canaã, Bahia.  Formado no Curso Ginasial e Clássico no Instituto de Educação “Prof. Alberto Conti”, Bairro de Santo Amaro, SP, Capital; Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo, Largo São Francisco; Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo, Curso de Hebraico Cogeae, PUC, São Paulo;  Pós-graduado em Direito Constitucional pela Escola Superior de Direito Constitucional de S.Paulo; Curso Avançado na Universidade Hebraica de Jerusalém 2008 – (The Hebrew University Of  Jerusalem) – Israel; Certificate of Graduation – The Jerusalem Bible Institute / Israel; (Concurso) – Professor Livre-docente em Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado na Universidade IMES; Articulista da Tribuna ABCD e diversas Revistas e Jornais; professor de Hebraico e Constitucional na Universidade Batista da Bahia-UBB; Advogado no ABC Paulista. Doutor em Teologia Pela Faculdade de Teologia Filadélfia Internacional/1997. Escritor e conferencista e autor de diversos livros, entre eles: Manual de Escatologia;  Sibolete ou Shibolete e Curso Prático de Hebraico; Princípios Constitucionais na Legislação Judaica; O Mestre Chegou e te Chama (Poesias); Promessas Eternas para Israel; Manual de Eclesiologia,  e  Mensagens para o Viver Diário. É membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, ocupando a cadeira de número quatro, cujo Patrono é Rui Barbosa.

E-mail: alsacramento@uol.com.br


BIBLIOGRAFIA

O Mestre Chegou e Te Chama (Poesias, 2ª Edição) – 1980;
Manual de Escatologia (Teologia) – 1980;
Comentário Devocional em Daniel (Vida Cristã) – 1982;
Comentário Devocional em Gênesis (Vida Cristã) – 1982;
Comentário Devocional no livro de Atos (Vida Cristã) – 1983;
Sibolete ou Shibolete (Vida Cristã) – 1986;
Promessas Eternas para Israel (Escatologia) – 2001;
Curso Prático de Hebraico Dinâmico, Bíblico e Moderno (Didático) – 2002;
Princípios Constitucionais na Legislação Judaica (Direito: Português/Inglês) – 2006;
Israel, o Ponteiro do Relógio de Deus (Histórico) – 2010;
Manual de Eclesiologia (Didática Teológica) – 2011;
Mensagens Devocionais (Autoajuda) – 2011;
Vista Panorâmica do Grego do Novo Testamento – 1 (Didático, 1ª Edição) –  2012;
Mensagens para o Viver Diário (Autoajuda) – 2012;
Dicionário do Grego para o Português (com fonética) (Didático) – 2012;
A Doutrina dos Anjos (Teologia) – 2013;
O Rei Jesus Está Voltando (Escatologia, 6ª Edição – Português/Espanhol) – 2013;
Vista Panorâmica do Grego do Novo Testamento (Didático, 2ª Edição) –  2013.


Pronunciamento de Apresentação do Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo, Rinaldo Gissoni, na solenidade de posse do novel Acadêmico Agnaldo L. Sacramento.

Três figuras, inegavelmente, representam em toda a sua magnitude, a inteligência brasileira, porque são a força do pensamento que é a alma da cultura nacional.

Na prosa, Machado de Assis, o mestre consagrado, uma das eminentes personalidades cujas obras, em sua totalidade, são imperecíveis. O seu pensamento é uniforme, elevado em todas as dimensões literárias, na beleza do estilo, na pureza da forma – qualidades hoje postergadas por dois sistemas modernos: o do mito da contestação que não leva a nada, e o da mídia que subtrai do indivíduo o poder  de reflexão sobre problemas social-educativos e literários – . Disse, há tempos, o crítico José Veríssimo, que Machado de Assis é  “na mais alta expressão do nosso gênio literário, a mas eminente figura” de nossa arte literária, já que essa índole fizera dele um escritor àparte que, tendo atravessando vários momentos e correntes literárias a nenhum realmente aderiu senão mui parcialmente guardando, sempre, certa insenção. Aquela afirmação de José Veríssimo continua atualizada porque não houve ainda quem superasse ou obscurecesse a aura de Machado de Assis. Não só prosador primoroso e sutil, do qual disse Nélide Pinõn: Machado de Assis não é somente o maior escritor do Brasil, senão o maior das Américas. Mas também poeta e dos mais importantes da literatura brasileira.

Outra eminente personalidade das letras brasileiras é Euclides da Cunha, consagrado pela sua obra “Os Sertões”, uma das bíblias do pensamento brasileiro. Euclides da Cunha foi um grande analista e excepcional repórter de gênio incomparável. Na opinião de José Veríssimo, Euclides da Cunha foi maior que tudo, um etnógrafo. Soube, na sua obra “Os Sertões” traçar com extraordinária precisão as características “das sub-raças sertanejas do Brasil”. É que as vicissitudes históricas e deploráveis situações materiais em que jazem, essas sub-raças sertanejas tão esquecidas dos poderes governamentais pereceriam sob o castigo das secas que tornam as suas terras estéreis. Mesmo nas tristes condições, ali estão elas garantindo a inviolabilidade dos desertos brasileiros. Entretanto, hoje preocupados com as crescentes exigências da globalização, os governos instigam a concorrência material estimulando, sob a divisa “um país de todos”, intensivas correntes migratórias rumo às regiões convidativas e férteis, enquanto aquelas sub-raças sertanejas, esquecidas, lá se acham mourejando infrutiferamente, e sofrendo nos cenários em que ressalta, predominantemente, o aspecto atormentante das paisagens.

Na trindade ganha realce a figura de Rui Barbosa, grande político, grande orador, grande civilista. Disse Wagner Ribeiro: Rui, “talento precoce, aos cinco anos de idade já sabia analisar e conjugar verbos regulares”. No conceito de Júlio Dantas, Rui Barbosa foi a mais alta expressão da cultura brasileira, um semi-deus da palavra escrita e falada, um dos maiores clássicos da Língua Portuguesa, o estatuário da palavra, e o vernáculo do século”.

Toda a sua produção intelectual prima pela linguagem, precisa e clássica, pela puresa do estilo, e perfeição estilística, originada da genial expressividade. Representou e dignificou de tal modo o pensamento, que à data de cinco de novembro que assinala o dia de seu nascimento, é consagrado o Dia Nacional da Cultura.

Dotado de vasta e variada cultura e grande eloquência, representou brilhantemente o Brasil na conferencia de Haia onde refutou a teoria do general Marshal, proclamando a força do direito contra direito da força que subjugaria as pequenas nações, tendo sido, “por isso, apelidado a Àguia de Haia”. Dentre as suas consideráveis obras, destaca-se a Réplica de que disse Laudelino Freire ser ela “um dos mais grandiosos monumentos literários que já saíram da pena de escritor de Língua Portuguesa”. E ela “valerá pela melhor das defesas, e por falange de hinos que hão de perpetuar a língua do Brasil”.

Rui Barbosa foi um defensor das liberdades humanas, do direito, das reformas do ensino secundário e superior, da emancipação dos escravos. Rui Barbosa foi, sobretudo, um cultor da Ética, sendo célebre seu conceito de então, perfeitamente aplicável hoje em dia: ‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver: agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir da honra, e ter vergonha de ser  honesto!…”

Esses vultos foram de têmpera especial que, certamente, não se extinguirá.

Eles não pouparam sacrifícios para engrandecer a nação e contribuir pra o nosso patrimônio cultural. Do seu espirito de brasilidade, do seu amor às nossas unidades de moral, de religião, de Língua, de costumes, de relações sociais e materiais, só nos restam princípios de memórias, de tradições e, principalmente, de identidade cultural. Se carecemos desses atributos, de identidade cultural somos paupérrimos.

A Academia de Letras da grande São Paulo não quer ser como o rio dos helenos cujas águas tiravam a lembrança do passado. Eis que aponta o cetro aqueles que se comprometem em cultivar a Língua Portuguesa e exaltar os notáveis que nos precederam, e também, contribuir para o nosso patrimônio com a força do pensamento.

É o que esperamos do novel acadêmico, Prof. Agnaldo Sacramento.

Rinaldo Gissoni


Pronunciamento de Posse de Agnaldo L. Sacramento à Academia de Letras da Grande São Paulo, em 25 de Maio de 2006, na Cadeira 04, Patrono Rui Barbosa.

Ilmo. Acadêmico Gissoni, mui digno Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo;
Prezados e nobres Acadêmicos;
Senhoras e Senhores:

1- A solenidade e responsabilidade desta noite memorável, leva-me primeiramente, a agradecer a Deus, reconhecendo-O, como fonte única e verdadeira das pequenas ou grandes conquistas intelectuais, espirituais, sociais ou outras que se possa alcançar, pois como sabiamente já reconhecia a brilhante e culta mente, Dr. Paulo de Tarso, o Apóstolo dos Gentios, cujo nome e vida honram o nosso Estado e sua grande Capital, S. Paulo, quando fazendo uso do grego, disse “nossa capacidade vem de Deus”.

2- A honrosa Cadeira que passo a ocupar, a de número 4 (quatro), cujo Patrono foi uma das figuras mais ilustres deste país, de fácil e de constante citação em todos os meios culturais / frases: a, b, c, d*.

3- Rui Barbosa, verdadeiro patrimônio nacional do saber, da cultura e paladino da Justiça. É um sonho inesperado, tão grande honra que a mim me cabe nessa Cadeira tutelada por Rui, que foi brilhante advogado, jornalista, jurista, político de grande expressão e envergadura moral, bem como diplomata, ensaísta, orador e grande Águia do Congresso Internacional da Haia, na Holanda.

4- Rui Barbosa nasceu no dia 05 (cinco) de novembro de 1849, na Rua dos Capitães, hoje Rua Rui Barbosa, Freguesia da Sé (Centro), na Cidade de Salvador, Bahia e faleceu em Petrópolis, Rj, no dia 1º de março de1923. É dito que, “aos cinco anos, fez seu professor Antônio Gentil Ibirapitanga exclamar: “Este menino de cinco anos de idade, é o maior talento que eu já vi. Em quinze dias aprendeu análise gramatical, a distinguir orações e a conjugar todos os verbos regulares”.

5- “Em 1861, aos onze anos, quando estudava no Ginásio Baiano de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, fez o Mestre declarar a seu pai, João Barbosa: ‘Seu filho nada mais tem a aprender comigo’”.

6- Feitos os preparativos de então para ingressas na Faculdade de Direito, não tendo a idade necessária, fica durante um ano estudando alemão. Ano seguinte ingressa na Faculdade de Direito de Olinda, Recife, transferindo-se mais tarde para a Faculdade de Direito, Largo São Francisco, (Universidade de São Paulo), passando a ter grande destaque entre os ilustres intelectuais daquela tradicional Faculdade.

7- Principais Obras de Rui Barbosa:

Alexandre Herculano, discurso; Castro Alves, discurso; Reforma do ensino secundário e superior, pareceres; Swift, ensaio; Cartas da Inglaterra, ensaios; Pareceres e réplica acerca do redação do Código Civil; Marquês de Pombal, discurso; Reforma do Ensino Primário, pareceres; Discursos e Conferências; Anatole France, discurso em francês na Academia Brasileira de Letras; Páginas Literários, ensaios; Cartas Políticas e Literárias, epístolas; Oração aos Moços, Discurso; Queda do Império, História, 2 volumes; Orações do Apóstolo, discurso (Suas Obras Completas, organizadas pela Casa de Rui Barbosa, somam 125 volumes).

8- Foi membro fundador da Academia de Letras, ocupando a Cadeira de Evaristo da Veiga, a de número 10 (dez). Foi nomeado Presidente da Academia de Letras em substituição ao grande escritor romancista, Machado de Assis, e foi o próprio Rui Barbosa o primeiro intelectual a reconhecê-lo como o maior escritor do Brasil.

9- Rui Barbosa é constantemente citado no mundo jurídico brasileiro, Mesmo sendo um cultor do pensamento e língua francesa, conhecia em profundidade o pensamento constitucional anglo-americano, e um militante republicano e federalista, influenciando profundamente a primeira Constituição democrática do Brasil, a de 24 de fevereiro de 1891.

10- Rui elaborou todo o projeto constitucional e mutatis mutandis, legalizado na sua Assembléia Constituinte. Também coube a ele a grande façanha da separação entre a Igreja e o Estado, por força de “influência visível do protestantismo anglo-saxônico”, como disse Lacombe, com o Decreto 119-a de 07/01/1899, “exclusivamente da lavra de Rui Barbosa” como disse o constitucionalista José Afonso da Silva, de quem tive a honra de ser aluno na USP.

11- Rui Barbosa foi grande defensor das liberdades públicas e individuais. “Esteve à frente da campanha pela anistia para os revolucionários de 1893-94; foi Ministro da Fazenda, Senador da República e sua participação na 2ª Conferência de Paz, em Haia, defendeu com êxito o princípio da igualdade jurídica das Nações” e recebeu o título de “Águia de Haia”.

12- Sinto-me também honrado em haver nascido na sua terra, Bahia e também o privilégio de ter estudado onde ele completou seu curso jurídico, nas famosas arcadas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no centro de S. Paulo, Capital.

13- No mundo futebolístico, haja vista estarmos às vésperas da Copa Mundial – 2006, quando se comenta por exemplo: qual o jogador que superaria a figura de Pelé, torna-se uma situação embaraçosa diante de possíveis comparações. O mesmo ocorre com Rui Barbosa, quando se questiona o jurista Teixeira de Freitas, seu conterrâneo, ou Lafayette, Gaspar Silveira Martins, Joaquim Nabuco, Patrocínio, Evaristo da Veiga e muitos outros, se seriam iguais ou superiores a Rui Barbosa? Como disse o renomado escritor e bibliógrafo de Rui, Américo Jacobina Lacombe “Não há setor da cultura brasileira em que não apareça o nome de Rui”. E acrescenta: que ele sozinho enfrente a seleção dos maiores nomes da História do Brasil. E como disse alguém, a figura intelectual de Rui Barbosa “é uma cordilheira que domina o nosso mapa cultural”.

14- O escritor Monteiro Lobato disse: “Que assombro de homem esse Rui”. E mais tarde, ao concluir um artigo disse: “Rui existe, e Rui é a vitória da decência sobre a indecência”.

15- Rui, fisicamente pequeno, (1, 58 de estatura), tornou-se o grande gigante da Bahia, do Brasil e do Mundo no Congresso Internacional da Haia.

16- Rui foi uma cultura universal; não era um mito e sim uma realidade. Dominava como ninguém o vernáculo pátrio, além do latim, inglês, francês, espanhol; estudioso do alemão e do grego e tantas outras línguas, e só lamento que Rui não estudou o Hebraico, como o fez o ora recipiendário da sua cadeira, a língua com a qual Deus mais falou ao homem.

17- Concluo, citando a palavra mais forte e profética de Rui para os nossos dias de turbulências e incertezas morais, políticas e sociais. Palavras proferidas no Senado no ano de 1914, espelhavam o que acontece hoje. Rui disse: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. Certamente que em Brasília, tornou-se uma realidade macabra, prejudicial e estranha: “vergonha de ser honesto”.

18- Que sigamos em frente inspirados em Rui, no ideal de cultura, de justiça e honradez, a “serviço do bem e do belo”, na visão e abrangência das palavras Paidéia no grego, (educação e cultura) e Shalom em hebraico: “Paz e Prosperidade”, no propósito maior de amor à Pátria e muita confiança em Deus.

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a) Homo nascitur ad laborem – o homem nasceu para o trabalho (*)
b) A pátria é a família divinamente constituída.
c) O homem que é o erro a procura da verdade, não sabe por a barra divisória entre o erro e a verdade.
d) A mão que embala o berço governa o mundo.

São Caetano do Sul (SP),  25 de maio de 2006.
Agnaldo L. Sacramento