Eva Bueno Marques

Patrono: Cecília Meireles
Cadeira 26


BIOGRAFIA

EVA BUENO MARQUES  – Nasceu em 20 de novembro de 1949 na cidade Conceição da Aparecida em Minas Gerais. Professora pelo Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Alfenas, Minas Gerais; Farmacêutica pela Escola Federal Farmácia, Alfenas, Minas Gerais (1972). Cursos ligados à área farmacêutica, congressos, palestras, etc. Aposentada no Banco do Brasil. Atualmente trabalha como farmacêutica responsável da Distribuidora Guinez International, em São Caetano do Sul. Fez vários cursos de Literatura. Participou do Seminário sobre os 100 anos de nascimento de Cecília Meireles, na USP, em 2001, com a filha e a neta da poetisa. Ingressou na Academia de Letras da Grande S. Paulo, em junho de 1983. Sempre ligada à área cultural da cidade, participando de eventos e como mestre de cerimônia de várias solenidades no município. Mestre de cerimônia na Academia de Letras por 20 anos e em eventos fora da Academia, lançamentos de livros, etc. Mestre de cerimônias em eventos em outros municípios a nível estadual e federal (concurso Miss Minas Gerias em Pouso Alegre-MG, em 1985 e Encontro Nacional de Surdos-Mudos com a participação de vários países da América Latina). Declamadora, já tendo apresentado dois recitais na cidade, nos anos de 1994 e 2005. Participou de inúmeros eventos como declamadora na cidade, em faculdades, programas de TV, teatros, em municípios dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, e também  no Café Tortoni, em Buenos Aires. Tem artigos publicados em coletâneas nos livros: Um olhar poético sobre S.Caetano e Cantos e Recantos de S.Caetano, e revista Raízes, publicados pela Fundação Pró-Memória de S.Caetano do Sul. Artigos publicados na Revista Tamises da Academia Letras da Grande São Paulo; Mensagens de Natal e poesias publicadas em jornais da região e de cidades no sul de Minas; Membro do Conselho Diretor da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul desde 1997; Membro de júris de concursos de contos e poesias. Escreveu vários prefácios e orelhas de livros lançados por escritores da cidade. Na Academia de Letras ocupa a Cadeira de número 26 cujo patrono é  Cecília Meireles.

E-mail: eva.bm@terra.com.br


Pronunciamento de apresentação de Eva Bueno Marques na Academia de Letras da Grande São Paulo.

Exmo. Sr. Dr. Rinaldo Gissoni;
D.D. Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo;
Exmas. Autoridades e componentes da mesa;
Ilustres Acadêmicos;
Distinto Público.

Coube-me a alegria de apresentar hoje, à Academia de Letras, a primeira Acadêmica de São Caetano do Sul, que ocupará a cadeira 26, cuja patronesse é a grande Poetisa Cecília Meireles.

Eva nasceu em Conceição da Aparecida-MG, filha do Sr. José Luiz Marques Sobrinho e de Dona Lourdes Bueno Marques.

Fez o curso primário e ginasial, em Carmo do Rio Claro, no Colégio Sagrados Corações, das Irmãs da Providência. Curso Normal no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Alfenas-MG, cidade onde diplomou-se Farmacêutica na Faculdade Federal daquela cidade.

Casou-se em 1970 e teve um casal de filhos: Wagner e Lurdiane.

Como farmacêutica é membro ativo da Associação dos Farmacêuticos do ABC e fez o Curso de Farmácia Hospitalar promovido pela nossa Associação em 1972, em Santo André.

A nova Acadêmica é um dinamismo fora de série.  É também bancária, funcionária do Banco do Brasil, em São Caetano do Sul. Obteve sempre o primeiro lugar nos Concursos que prestou, para o Banespa e para o Banco do Brasil, concorrendo com mais de três mil candidatos.

Desde o curso primário, manifestou pendor especial pela literatura, o que lhe mereceu convites para fazer discursos, conferências e declamar em vários lugares. Em nossas confraternizações anuais da Associação Farmacêutica do ABC, ela nos brindou com os seus amistosos contos e mensagens de Natal, como :”O filho do Carpinteiro”, “A semente de Mostarda”, “A arca de Noé”, “Pausa para um Chá de Poesia”…, com apreciação geral dos colegas. Escreveu várias crônicas e poesias, destacando “Confissão de amor” e “Na janela de Cecília”.

Além dos dotes intelectuais e morais, possui um coração magnânimo, grande sociabilidade e a todos encanta com o seu sorriso expressivo.

Nossa amizade vem de longa data… É aquela amizade que nasce do amor, vive de confiança  e se eterniza em Deus.

A nova Acadêmica é pois, a guirlanda de esperanças, que vem adornar a Academia de Letras da Grande S. Paulo.

Acadêmica Irmã Maria de Affonseca e Silva (Ancila Fidelis)
Santo André, 13 de junho de 1985.

 


Pronunciamento  de Posse de Eva Bueno Marques, na Academia de Letras da Grande São Paulo, em 13 de Junho de 1985.

Exmo. Sr. Dr. Rinaldo Gissoni, digníssimo Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo;
Autoridades presentes;
Demais componentes da mesa;
Prezados Acadêmicos;
Seleto auditório.

Neste momento acabo de chegar voando, com o calor palpitante da emoção, com a brisa inebriante da alegria e com a música suave da simplicidade. Voando, como a mais operária das abelhas que formam uma importante colmeia: este Sodalício.

Meu insignificante grãozinho de mel tem ainda gosto de flor. Não trago nenhuma bagagem de néctar, mas muita vontade de procurá-lo nas flores do saber, de aprender a acompanhar o vôo das abelhas mestras, guiadas pelo perfume da poesia, rumo aos jardins do coração.

É para mim um momento feliz, festivo, de grande júbilo. Agradeço ao ilustre Presidente desta Casa tão honroso convite e à Acadêmica Irmã Maria de Affonseca e Silva, querida amiga, a indicação para uma cadeira nesta Academia, que embora, não mereça tal posição, tentarei honrá-la, espelhando-me em meus pares. Meu caminhar aqui será ladeado pela humildade e terei como meta satisfazer, com esforço e trabalho, à expectativa do convite que tanto me envaideceu.

A Academia de Letras é uma agremiação cultural da mais alta importância, pois se incumbe de preservar a beleza da língua, a riqueza dos valores literários. Sua meta é difundir a cultura, é não deixar morrer o poético, o puro e o belo, é continuar plantando a semente do verdadeiro saber.

Minha alegria torna-se redobrada por enaltecer, nesta data, a fada tão importante da literatura brasileira, minha patronesse, a poetisa Cecília Meireles.

“Poetizar é saber captar e eternizar uma inspiração que chega, é sentir uma seta cravejar a alma com lampejos do céu, é navegar em estado de graça nos mares da imaginação.”  E foi para navegar nesses mares, que Cecília veio ao mundo, no dia 7 de novembro de 1901, na cidade do Rio de Janeiro. Seu pai, funcionário do Banco do Brasil, faleceu quando ela tinha apenas 3 meses. Sua mãe, professora primária, partiu deste mundo, quando a menina Cecília completara 3 anos. A avó materna, Dona Jacinta Benevides, de origem açoriana, ficou responsável pela tutela da neta, pois foi a única sobrevivente da família, após a morte prematura dos pais. Referindo-se, mais tarde, a respeito da ausência dos pais, disse a poetisa: “As mortes ocorridas na família, deram-me desde pequenina, uma tal intimidade com a morte que, docemente, aprendi essas relações entre o efêmero e o eterno. A noção ou sentimento de transitoriedade de tudo, é o fundamento da minha personalidade.”

Observem nestes versos:

“Quando o tempo em seu abraço
Quebra meu corpo e tem pena
Quanto mais me despedaço
Mais fico inteira e serena.” 

Apesar de tudo, a escritora guardou boa recordação de sua infância:

“Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde, foi nessa área que os livros se abriram para mim, deixando sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa. Foi ainda nessa área que apareceram meus próprios livros que não são mais do que uma vida encantada com todas as coisas e mergulhada em silêncio e solidão.”

Por ter feito todo o curso primário com distinção e louvor, recebeu de Olavo Bilac, inspetor escolar do distrito, na época, uma medalha de ouro com o seu nome gravado.

Mas antes de saber ler, gostava de ouvir estórias. É aí que aparece Pedrina, sua pajem, companheira mágica de sua infância. Foi Pedrina que lhe falou sobre folclore, adivinhações, cantigas, fábulas, etc. Também a avó sabia muitas coisas do folclore açoriano e era uma pessoa muito mística. Com isso, então, foi despertado em Cecília, o gosto pelo folclore e, mais tarde, desenvolveu sua atividade como folclorista. Publicou em jornais, artigos sobre folclore infantil e, em 1954, foi secretária de 1º Congresso Brasileiro de Folclore, realizado no Rio.

A adolescência deu-lhe paixão pelo Oriente, pelos estudos orientais, história, línguas, filosofia e esses estudos continuaram sempre.

Diplomou-se professora e seguiu a carreira do magistério, mas paralelamente, desenvolveu intensa atividade literária e jornalística, escrevendo nos principais jornais da imprensa carioca.

Com 18 anos, publicou seu primeiro livro: Espectros, que mereceu elogiosas referências. Aos 20 anos, casou-se com o pintor, artista plástico Fernando Correa Dias, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda. Sempre preocupada com os problemas da infância, seu entusiasmo pela educação e amor pelos livros levaram-na a criar, no Rio de Janeiro, a primeira Biblioteca Infantil do país.

Em 1938, com o livro “Viagem” recebeu o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras, láurea até então jamais outorgada a uma mulher.

Em 1940, após cinco anos de viuvez (Fernando suicidou-se) contraiu segundas núpcias com o Professor Heitor Grilo. Lecionou literatura brasileira  e folclore em universidades dos Estados Unidos. A partir de então, sucedem-se as viagens a intervalos regulares: México, Uruguai, Argentina, Portugal, França, Bélgica, Holanda, Índia, Itália e Israel, sempre difundindo nossa cultura. Em 1953, publicou “Romanceiro da Inconfidência”, livro que lhe custou um tempo de sete anos de pesquisas históricas, no qual empregou o melhor de sua técnica. Também naquele ano, recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” da Universidade de Délhi, na Índia.

O maior traço de sua personalidade foi o ecletismo. Jamais se filiou a qualquer uma das correntes que marcaram nossas letras naquele meio século. Essencialmente lírica, manteve-se fiel à tradição luso-brasileira. Certa vez, Cecília disse:

“O escritor é a pessoa que diz o que muitos sentem e não sabem expressá-lo. Nossa responsabilidade é de dizer essas coisas com clareza. E há também, essas coisas que nem todas as pessoas sentem, mas que o escritor ensina a sentir.”

E realmente, ela nos ensinou muito, mostrou-nos que o mundo é digno de ser contemplado e retratado. O sentimento de Cecília Meireles ganhava olhos que ultrapassavam os fenômenos até às essências.”E na busca das imagens e dos adjetivos, ela procurava o que podia dar a transparência, a pureza, a fluidez. O conjunto de seres e coisas eram filtrados por sua sensibilidade com grande encantamento, emoldurados pela sua inteligência e retornavam suaves à luz, catalizados pelo seu amor. Apreendia as coisas em sua inexorável mutação e eternizava a beleza perecível que as iluminava.” Atentem para este trecho:

“A flor está feita só de elementos indispensáveis e parece apenas um sonho, uma fantasia, um extravagante ornamento. É música, por suas leis de harmonia, é poema pela inspiração de sua aparente estrutura. Mas em sua profundidade, em seus compromissos de origem, é verdade, ciência, sabedoria. Por um longo caminho vem até nós dos abismos do universo. É a imagem da vida inexplicável, a representação do Nascimento.”

Havia uma nostalgia invencível na alma de Cecília, seu mundo interior era feito de esgarçados devaneios. Por isso, ela se movia, viajava, sonhava com navios, com nuvens, com mares, transformando em pura poesia essa caminhada. Notem isso na beleza desta sua poesia:

“Canção

Pus o meu sonho no navio
E o navio em cima do mar
Depois abri o mar com as mãos
Para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
Do azul das ondas entreabertas
E a cor que escorre dos meus dedos
Colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe
A noite se curva de frio
Debaixo d’água vai morrendo o meu sonho
Dentro de um navio.

Chorarei quando for preciso
Para fazer com que o mar cresça
E o meu navio chegue ao fundo
E o meu sonho desapareça.

Depois tudo estará prefeito:
Praias lisas, águas ordenadas
Meus olhos secos como pedras
E as minhas duas mãos quebradas.”


Quer em versos, quer em prosa, podemos admirar a riqueza da obra ceciliana em: “Criança meu Amor”, “Baladas para El-Rei”, “Vaga Música”, “Mar absoluto”, “Retrato Natural”, “Canção”, “Metal Rosicler”, “Solombra”, “Giroflê-Giroflá”, “Escolha o seu Sonho”, “Romanceiro da Inconfidência”, “Doze Noturnos de Holanda”, “O que se diz e o que se entende”, “Crônicas sobre Educação (3 volumes) , “Crônicas de Viagem” (3 volumes), etc

Depois de sua morte (9 de Novembro de 1964) a atriz Maria Fernanda recebeu em nome de sua mãe, o prêmio Machado de Assis, maior prêmio literário da Academia Brasileira de Letras.

Cecília continua imortal através de sua vasta obra e viva em nossos corações.

Para finalizar estas simples palavras, escrevi, em homenagem a ela, esses versos:

A JANELA DE CECÍLIA

Na janela de Cecília
O arco-íris é a trilha
Dele caem finas sedas
Que são as belas cortinas.
Tão suaves e esvoaçantes
Com coloridos constantes
Que até me deixa intrigada
Serão cirros as estampas
Ou serão contos de fada?

Na janela de Cecília
Um enorme sol sempre brilha
Quando a brisa aumenta um pouco
As cortinas se balançam
Muitas plumas dela caem
E aos poucos vão se aninhando
No peitoril da janela
Dando jeito de almofada
A acariciar os braços dela.

Na janela de Cecília
Cabe uma infinita família
Não se sabe o parentesco
Só se sabe que são tantos
À procura de paz e de amor.
Lá não se distinguem as idades
Nem a raça e nem a cor.
A língua falada é a mesma
E as pequenas coisas têm valor.

Na janela de Cecília
É sempre a mesma partilha.
As mãos sempre estendidas
Lá são todos irmãos.
As alegrias divididas
São flores em profusão.
Essa janela é a entrada
Para a casa tão bem guardada
Chamada de coração.

Busquei risos e encontrei
Busquei paz e lá achei.
Busquei flores e as colhi
Embriaguei-me de amor e não senti.
De lá não saio jamais.
E para que isso aconteça
Serei como indefesa filha
Debruçada, (que eu sempre mereça),
Na janela de Cecília.

Meu muito obrigada a todos.

Eva Bueno Marques

Dados biográficos e consultas :

“Escolha o Seu Sonho”- Distrib. Record –RJ-1964
“Flor de Poemas” –José Aguilar Editora-1972
“O que se diz e o que se entende” C.M.- Editora Nova Fronteira-1980
“Cecília Meireles” –obra poética-Edit. Nova Aguilar -1977-RJ
“Literatura Comentada” C. M.- Abril Educação -1982.
Eva Bueno Marques, 13 de Junho de 1985 – Biblioteca Municipal de São Bernardo do Campo-SP, Rua Bauru, onde funcionava a Algrasp, na época.


MATRIZ SAGRADA FAMÍLIA

Eva Bueno Marques

Há 25 anos uma rotina acontece:
Às seis horas, quando a tarde cai,
Naquele momento de prece
De rezar a Ave-Maria
Para encerrar bem o dia
Os sinos põem-se a tocar.
O clima da Praça Arcoverde
Acaba de se transformar:
Mil pássaros piando triste
Pesam cada galho que existe
Nas redondezas da Matriz.
Pessoas em volta do café
Despedem-se ouvindo os sinos
E vão alimentar sua fé.
Como me sinto feliz!

Cada degrau da igreja
É como se fosse um véu
Que vou afastando com jeito
Para enxergar direito
A maravilha do céu.
A luz tênue do local
O silêncio celestial
O convite é para a oração,
Para abrir-se o coração.
A velinha do sacrário
Pisca-pisca sem parar,
No meu peito o relicário
Abre as portas para orar:

Na glória com seu poder
Um Deus no trono admiro
Na pintura lá do teto.
À pomba do Espírito Santo
Peço que me cubra com o manto
E as virtudes dos sete dons.
Concentrada com fervor
Mãos cruzadas sob o queixo
Embalada pelos sons
Da música suave

Prometo firme o meu amor
Ao filho do Pai- Jesus,
Pedindo a Ele forças
Para conduzir minha cruz.
Visito os vários altares
Vejo todos os santos
Quietos em seus lugares.
Olho nos olhos, observo.
A cada um faço pedidos
Só com a força do olhar.
Admiro a Virgem com o menino,
José com o seu lírio-escudo,
Muitas velas ao redor.

Para a Sagrada Família
Peço o que sei de cor:
Graças para famílias e amigos
Livre-os de todos os perigos.
Continuo pelos outros altares
Com pedidos singulares:
Judas é um santo sério
Mas para ele não há mistério
Para o impossível atender.
É muito alegre o Toninho
Sempre quero que me ajude
A encontrar o bom caminho.
Benedito cozinheiro protetor
Fazei com que não nos falte
A comida e o amor.

São Caetano di Thiene, nosso padroeiro,
Vossa vida é um exemplo
Vivestes lá na Itália,
E estais em nosso Templo.
Deixastes riqueza, vaidade
Para se transformar em santo
Protegei nossa cidade
Cobri-a com o vosso manto.

E as santas poderosas
Que aprendi a admirar:
Terezinha com as rosas
Parece que quer me abraçar.
Luzia com os olhos na bandeja
Dos males todos nos protegei
E que eu veja só o bem.
Edwiges tão querida

A nossos trabalhos dai bênçãos
Pois todos eles são
A fonte do nosso sustento.
Rita, minha Ritinha,
Dai-me força, só mais esta
Para vencer como vós
Esta chaga em vossa testa.

E a todos os anjos e santos
Que não chamei pelo nome
Cobri-nos com os vossos mantos.

Quando termino as preces
E já lá fora escurece,
Cada imagem estática
Parece que não ouviu nada.
Mas no céu um milagre
Mostra a força da oração
E acontece por lá
Uma grande confusão:
Os santos sobre patins
Deslizam entre os querubins
Até derrubam uma lira
Tocada pelos serafins,
E vão em direção ao Pai.
Quando chegam, cada santo
Depois de correr tanto
Entrega a lista que leva
E juntos entoam em canto:
“São os pedidos da Eva”.