Humberto Domingos Pastore

Patrono: Dom Aquino Correa
Cadeira 19


 BIOGRAFIA

O nome Humberto me foi dado pelos meus pais, Osvalter José Pastore e Maria de Lourdes Pastore, em homenagem a um jogador que tinha esse nome na década de 50. Já o Domingos é em homenagem ao meu nono que no ano de 1947 veio com sua família para São Caetano do Sul. E o Pastore tem sua origem na região do Piemonte, no Norte da Itália . Hoje esse sobrenome é encontrado em 1161 províncias italianas.

Nasci no dia sete de fevereiro de 1955, um domingo de carnaval, num parto que aconteceu no antigo Hospital do Dr. Souza Votto, local que mais tarde seria sede do primeiro Pronto Socorro Municipal e onde hoje deu lugar à Praça São Caetano di Thiene, entre a Avenida Goiás, a rua Oswaldo Cruz e a Rua Marechal Deodoro, em São Caetano do Sul.

Resumindo posso dizer que sou um pesquisador, amante da historio de minha cidade; formado em 1980, em Comunicação Social, com especialização em Jornalismo pela Universidade Metodista. Profissionalmente desenvolvo trabalhos de assessoria de imprensa para diversas entidades, e em especial para a Diocese de Santo André.

Considero que o ser humano é a soma de muitas facetas e não fujo à regra. São 24 horas por dia para dedicarmos aos mais diversos projetos pessoais. Temos o profissional, o familiar e, porque não dizer, o religioso. Portanto, existe o Humberto jornalista, o Humberto casado com a Maria Aparecida, pai da Marcela Francine, do João Paulo, do Mário Sérgio e avô da Maria Gabriela. O Humberto temente a Deus, devoto de São Judas Tadeu, que como católico apostólico romano segue os preceitos de sua religião e vive sua fé, tanto que, para aprofundar-se nos preceitos religiosos, está cursando a Faculdade de Teologia da Diocese de Santo André.

E-mail: humbertopastore@uol.com.br


BIBLIOGRAFIA

Contador de Causos Urbanos (Conto) – 2004;
Tadeu – O Outro Judas – O décimo apóstolo escolhido por Jesus  (História) – 2007;
Santa Rita de Cássia – A Padroeira do Pinheirinho (História) – 2008;
Cônego Belisário – O condutor de almas que já foi tangedor de jumentos (Biografia) – 2009;
Lins – a saga de um líder sindical (Biografia) – 2010;
Falando de Comunicação e também de Pastoral da Comunicação (Educacional )  – 2011;
Santa Maria Goretti  (História) – 2012;
Pérola – a gata que quis morar no meu coração (Biografia) – 2012.

Atualmente trabalha na produção do livro biográfico do líder sindicalista, João Lins Pereira e do livro sobre uma Paróquia de São Bernardo do Campo.


Pronunciamento de apresentação de Humberto Domingos Pastore, na sessão de posse da Academia de Letras da Grande São Paulo, proferido pelo Acadêmico e Vice-Presidente José Roberto Espíndola Xavier.

“Vede, ó Senhor Deus, e reparai benigno, segundo é Vosso costume, como os filhos dos homens observam diligentemente as regras da ortografia e das sílabas, recebidas dos primeiros mestres, e desprezam as leis eternas, da salvação eterna, de Vós recebidas. Com certeza, a ciência gramatical não é mais interior do que a lei da consciência- de não fazer a outrem o que não queremos que nos façam a nós mesmos.”

Caro Humberto:

Ao conhecer sua obra literária veio-me à lembrança, como contraponto, este trecho das “Confissões” de Santo Agostinho, onde ele ressalta que às vezes tornam-se muito mais importantes para nós os princípios da gramática – que nos ensinam os professores – que a doutrina que nos orienta ao amor ao próximo – que nos ensina o Criador.

A metáfora usada por Santo Agostinho situa bem a importância da palavra escrita, que através do registro de ações gloriosas, constitui-se em uma forma do Homem vencer a efemeridade do tempo e se perpetuar na memória.

Invertemos os valores da fé Cristã toda vez que usamos a palavra como expressão do furor da alma, como instrumento da vaidade, como argamassa que plasma o ódio. É uma poderosa ferramenta de trabalho para o bem ou para o mal; indispensável na construção da ética, e mortífera na demolição dos costumes e da moral. Não se confunda liberdade de expressão com licenciosidade na comunicação.

Não é o que acontece na mansidão dos seus escritos, Humberto.

Se a poesia revela segredos do poeta, a prosa também desnuda nos recônditos da alma a intimidade do “Homem Literato”.

Nos seus trabalhos biográficos (sobre o sindicalista João Lins Pereira e o Cônego Belisário) e nos de pesquisa (São Judas Tadeu e Santa Rita de Cássia) evidencia-se o escritor memorialista de profunda religiosidade, o jornalista criterioso e de vocação precoce, que aos quatro anos de idade, alfabetizado pela mãe, já se interessava pelas notícias impressas.

Lembra-se, senhor Osvalter, quando o menino espalhava pelo chão as folhas dos jornais que o senhor trazia para casa após o trabalho e brincava de jornalista , lendo e inventando notícias?

Quantas vezes, D. Maria de Lourdes, a senhora fotografou o menino Humberto nessas ocasiões? (O hobby da D. Maria de Lourdes era a fotografia). Além de mãe, quanto valeu a pena o seu esforço de mestra, ensinando-o a ler e a escrever!

Que o digam a esposa Maria Aparecida, os filhos Marcela Francine, João Paulo e Mário Sérgio, a neta Maria Gabriela, o quanto vale a pena uma sólida estrutura familiar, desde o berço, na sedimentação dos princípios morais e intelectuais.

Dessa família harmoniosa em Cristo, surgiu o Humberto empresário (Pastore Comunicações), o jornalista

(Faculdade Metodista), o teólogo (Instituto de Teologia da Diocese de Santo André) e atual professor de teologia em várias paróquias.

Talvez seja este lado de professor-pregador, pelo que pude aprender, o que mais tem contribuído para seu equilíbrio emocional e realização espiritual. Nenhuma surpresa para quem conhece o avô, o pai e o esposo Humberto. Nada a estranhar em quem já carrega consigo o nome de Pastor. Que não desanime nesta árdua tarefa! Que não lhe faltem rebanhos!

Em tempos maniqueístas de exacerbação do niilismo agnóstico, ou de fundamentalismos xiitas, você há que se apoiar, na sensatez do Padre Antonio Vieira, no “Sermão da Sexagésima”, quando diz:

“Semeadores do Evangelho, eis aqui o que devemos pretender dos nossos sermões: não que os homens saiam contentes de nós, senão que saiam muito descontentes de si; não que lhes pareçam bem os nossos conceitos, mas que lhe pareçam mal os seus costumes, as suas vidas, os seus passatempos, as suas ambições e, enfim, todos os seus pecados”.

Palavras do século XVII, justas e perfeitas para o século XXI! As tarefas de semear e ensinar transcendem a finitude do Homem.

Mas é no seu livro “Contador de Causos Urbanos” que se revela a agradável singeleza do contista-cronista. É outro tipo de literatura, que exige do autor criatividade na exposição da memória, capacidade de síntese com preservação do estilo, aliadas a uma dose proporcional de criticismo.

Que você possa manter essa versatilidade ao longo da sua carreira literária.

Sra. Presidente, caríssimos confrades e confreiras.

Ocupa-se hoje, aqui e agora, a cadeira de Francisco Aquino Ferreira (19), condignamente representada pelo novel acadêmico Humberto Domingos Pastore É seiva haurida no solo fértil da Cultura que há de nutrir este sodalício e bem frutificar nossos ideais. É a dinâmica da vida a nos suprir lamentáveis perdas que a inexorabilidade do tempo nos impõe.

Somos ainda poucos. Necessitamos crescer muito mais.

Crescer em sintonia com as áreas culturais afins, criando intersecções que multipliquem e potencializem as ações da ALGRASP. Crescer ao largo das vaidades, procurando despertar e agregar todos aqueles que acreditam no humanismo como viga mestra na construção e lapidação da condição humana.

Neste mundo reverente ao deus mercado, submisso ao império do lucro, relega-se a introspecção e subestima-se a evolução espiritual. Somos iludidos com a falácia politicamente urdida na falsidade de uma ascensão social baseada apenas na elevação do poder aquisitivo, sem compromisso com uma educação de qualidade ou com o desenvolvimento intelectual.

O apartheid cultural é a forma mais cruel e eficaz de obstar a capacidade de discernimento de um povo e, consequentemente, impedir o exercício pleno da cidadania. É a cegueira dos que veem, mas não enxergam. É a saga dos que bradam, mas não escutam o eco.

Escribas, vates, profetas, amantes do bom e do belo – como ilustra nosso estandarte – eis a missão: há que se ver; ouvir; falar por eles e com eles. Manter acesa a chama da esperança, o brio, a vontade de vencer.

“Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada.

“À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”. F. Pessoa

Destarte, ousar sermos seus porta-vozes na realidade do cotidiano, cantar em prosa e verso suas mazelas, seus vícios e seus pendores, saber das suas dores e dos seus amores; mais que atos de solidariedade, são dever de ofício.

Nesta pátria amada de materno regaço a miscigenação fomenta a tolerância, magnifica os corações, e a arte de viver encontra guarida nas mais esdrúxulas paixões. Aqui, nesta democracia que ainda engatinha, já é permitido sonhar.

Aqui, na luxúria do funk e do carnaval, ainda há lugar para uma viola caipira ou um violão erudito; na gula dos rodízios e do fast-food, ainda encontramos um lugar para jantar à luz de velas; no voyeurismo insolente dos orkuts, dos face-books e dos twitters, ainda resta memória virtual para o antigo romantismo.

Creiam Sras. e Srs., nesta Terra de Santa Cruz, o amor continua em moda!

Parabéns, Humberto.

Seja bem-vindo.

José Roberto Espóndola Xavier
Cadeira 24 – Patrono Alberto de Oliveira


Pronunciamento de Posse de Humberto Domingos Pastore à Academia de Letras da Grande São Paulo, em 31 de março de 2011, na Cadeira número 19, Patrono Dom Aquino Correia.

Ilustríssima Acadêmica Senhora Gioconda Labecca, digníssima Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo;
Ilustríssimo Senhor Professor, João Rodrigues, neste ato representando o Senhor Doutor José Aurícchio Júnior, Prefeito Municipal de São Caetano do Sul;
Ilustríssimo Senhor Doutor José Roberto Espíndola Xavier, digníssimo Vice-presidente desta querida Academia.
Dignas Autoridades;
Distintos Acadêmicos;
Senhoras e Senhores.

Antes de minha fala – Peço permissão a todos, para dedicar a solenidade desta noite, ao meu amigo, meu padrinho de casamento, meu primeiro chefe em um cargo público na Prefeitura de São Caetano, nos idos de 1970, Domingo Glenir Santarnecchi.

Se em momentos de desespero, temos por hábito invocar o nome de Deus.

Em momentos de júbilo, não podemos deixar de agradecer ao nosso Criador.

E assim sendo, ao viver um dos momentos mais marcantes de minha existência, início este pronunciamento agradecendo a Deus, em primeiro lugar.

Em seguida agradeço a meus pais: Osvalter José e Maria de Lourdes por deixarem ser, instrumentos de Deus para que há 56 anos nascesse o menino Humberto.

Agradeço ao Acadêmico José Roberto Espíndola Xavier, uma alma elevada, um amigo carinhoso, que depositou em seu discurso mais elogios do que mereço.

Doutor Xavier ao apresentar meu nome para compor esta Academia, se tornou a porta pela qual estou transpondo para adentrar a um espaço onde as palavras ocupam lugar de respeito e admiração, uma casa que venera os livros como sacrários que guardam com carinho as letras que transmitem o mais alto saber e pensar.

Quis a sensibilidade impar da Acadêmica Gioconda Labecca, grande líder que preside com coração e mente esta Academia, que ao decidir sobre a Cadeira que viria ocupar, escolhesse um Patrono que me seja tão querido como é o nome desta importantíssima figura brasileira: Dom Aquino Correia.

Quando a notícia de minha posse alcançou a grande lista de amigos, duas perguntas se fizeram pertinentes. A maioria queria saber qual seria o Patrono da minha Cadeira. E quando respondia… Dom Aquino Correia… Indagavam por querer saber detalhes da vida deste grande homem.

Tenho, portanto, neste instante a chance impar de falar sobre a vida e a obra de Dom Aquino Correia, que por causa de seus grandes feitos, é hoje até mesmo, nome de uma cidade no sudeste do Mato Grosso.

O mais jovem Bispo brasileiro

Francisco Aquino Correia foi sacerdote, prelado, arcebispo de Cuiabá, Governador do Mato Grosso, poeta e orador sacro. Nasceu em Cuiabá, quando esta cidade ainda pertencia a Minas Gerais. Foi no dia 2 de abril de 1885. Completaria assim, 126 anos daqui dois dias. Há 55 anos faleceu em São Paulo. Foi no dia 22 de março de 1956 aos setenta anos de idade.

Eleito em 9 de dezembro de 1926 para a Cadeira nº 34, na sucessão de Lauro Müller, foi recebido em 30 de novembro do ano seguinte, pelo acadêmico Ataulfo de Paiva.

Era filho do casal Antônio Tomás de Aquino e Maria de Aleluia Correia. Cedo revelou sua inteligência, forte amor aos estudos e a vocação religiosa. Iniciou os estudos no Colégio São Sebastião e fez o curso no Seminário Nossa Senhora da Conceição. Depois passou a freqüentar o Liceu Salesiano de São Gonçalo, onde recebeu o grau de bacharel em humanidades.

Em 1902 ingressou no Noviciado dos Padres Salesianos de Dom Bosco em Cuiabá, onde no ano seguinte inicia o curso de Filosofia. Em 1904 seguiu para Roma, onde matriculou-se, simultaneamente, na Universidade Gregoriana e na Academia São Tomás de Aquino, por onde em 1908, haveria de doutorar-se em Teologia. Em 17 de janeiro de 1909, já tendo recebido todas as Ordens Menores e Maiores, foi ordenado presbítero.

De volta ao Brasil, foi nomeado diretor do Liceu Salesiano de Cuiabá, cargo que desempenhou até 1914, quando foi designado, pelo Papa Pio X, para ser o titular do Bispado de Prusíade e Auxiliar do Arcebispo da Diocese de Cuiabá, cargo em que foi investido em 1º de janeiro de 1915, aos 29 anos, sendo, então, o mais moço entre todos os bispos do mundo.

Em 1919, o Papa Bento XV conferiu-lhe os títulos de Assistente do Sólio Pontifício e Conde Palatino. Em 1921, com o falecimento do Arcebispo Dom Carlos Luís de Amour, foi elevado ao Arcebispado de Cuiabá, recebendo o Pálio das mãos de Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo na época.

Em 1917, indicado pelo governo de Venceslau Brás como elemento conciliador, fora eleito governador do seu Estado para o período de 1918-1922. Ali se manteve à altura de sua consciência democrática, de sua capacidade construtiva e de seu profundo sentimento patriótico.

Amparou a cultura regional, tomando a iniciativa de fundar a Academia Mato-grossense de Letras onde, depois, como titular, seria aclamado por unanimidade Presidente de Honra. Criou também o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do qual foi eleito Presidente Perpétuo.

Autor de inúmeras e notáveis Cartas pastorais, de discursos, trabalhos históricos e poesias, Dom Aquino Correia publicou Odes, o seu primeiro livro de versos, em 1917, seguido de Terra natal, onde reuniu poemas de exaltação a Mato Grosso e ao Brasil, cheios de suave lirismo e fascínio pelo seu chão nascente.

Para o embaixador e acadêmico José Carlos de Macedo Soares, na poesia de Dom Aquino existe um forte lirismo que combina bem com o seu poder descritivo, não só quando ele narra um episódio, como também quando invoca uma paisagem ou simplesmente uma viva emoção.

Mais tarde, Dom Aquino produz alguns trabalhos em prosa revelando o seu interesse pelas coisas nacionais, enfim, todo o seu patriotismo.

O seu domínio na tribuna era absoluto. Admirado, não só como orador sacro, mas também na tribuna das conferências, como o confirmou, em várias entidades culturais.

Exemplos não faltam. Destacamos a conferência magnífica sobre o “Centenário do Bispado de Cuiabá”, proferida no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1926; Citamos a “Mensagem aos homens de letras”, proferida na Academia Brasileira de Letras; E por fim a leitura do texto “A verdade da Eucaristia”, oração inaugural do V Congresso Eucarístico de Porto Alegre, em 28 de outubro de 1948.

Como dissemos no início, Dom Aquino é nome de um município brasileiro. Está localizado no Estado do Mato Grosso. Sua população, segundo o IBGE, estimada em 2007 era de 8.264 habitantes. A atividade econômica passa pelo palmito, água mineral, cana de açúcar, soja, algodão, milho, arroz, banana; assim como pela atividade pecuária, leiteira e a indústria alimentícia.

A vida deste ilustre cidadão brasileiro pode ser analisada com mais profundidade na obra do escritor e Acadêmico Hélio de Souza Melo, intitulada: Dom Francisco de Aquino Correia, Pastor, Poeta, Orador, Humanista e Homem Público, publicado em Fortaleza no ano de 1996.

Dom Aquino Correia nos brindou com um belo acervo literário composto por: Odes, poesia, 2 vols. de 1917; Terra natal, poesia de 1920; A flor d’aleluia, poesia de 1926; Discursos, oratória de 1927; O Brasil novo, discurso de 1932; Castro Alves e os moços, discurso de 1933; Oração aos soldados, discurso de 1937; O Padre Antônio Vieira, discurso (sem data); Nova et vetera, poesia de 1947; além de cartas pastorais, ensaios e conferências publicadas na imprensa do país, não reunidas em livro. Escreveu ainda livros de geografia e história, como “A fronteira de Mato Grosso – Goiás, memória sobre os limites entre os dois estados, e o Brasil”, obra publicada em Genebra no ano de 1919.

Hino do Mato Grosso

Do muito que escreveu o Patrono Dom Aquino Correia, aqui elevado, atrevo dizer que escolhi ler os versos iniciais do Hino do Mato Grosso, obra de sua autoria.

A Canção Mato-grossense foi cantada em público pela primeira vez durante a cerimônia principal das comemorações do bicentenário de fundação de Cuiabá, em 8 de abril de 1919. Sabe-se que naquele dia a Capital de Mato Grosso despertou às quatro horas com a tradicional alvorada festiva, que foi mais solene então do que nas vezes anteriores e até hoje sem comparação.

Dos mais diferentes pontos de Cuiabá partiam foguetes e salvas que iluminavam aquela madrugada inesquecível e ao mesmo tempo acordando a população local, tanto era o barulho que provocava. Foi uma festa em todos os sentidos, engalanada com as notas marciais das bandas de música e dos clarins que percorriam as ruas centrais da bicentenária cidade do Senhor Bom Jesus em direção da Praça da República.

O povo pela primeira vez ouvia esta obra de Dom Aquino:

Limitando, qual novo colosso,
O Ocidente do imenso Brasil,
Eis aqui, sempre em flor, Mato Grosso,
Nosso berço glorioso e gentil!

Eis a terra das minas faiscantes,
Eldorado como outros não há,
Que o valor de imortais bandeirantes
Conquistou ao feroz Paiaguá!
Salve, terra de amor,
Terra de ouro,
Que sonhara Moreira Cabral!
Chova o céu
Dos seus dons o tesouro
Sobre ti, bela terra natal!

Terra noiva do Sol, linda terra
A quem lá, do teu céu todo azul,
Beija, ardente, o astro louro na serra,
E abençoa o Cruzeiros do Sul!

Boa noite!
Que Deus abençoe a cada um dos amigos presentes.

Humberto Domingos Pastore


O encanto da primeira vez

Humberto Domingos Pastore

Pense na sua música preferida. Aquela que não se cansa de ouvir. Agora no filme que te faz dormir bem mais tarde, só para assisti-lo pela sétima vez. Claro que cada um tem seu gosto especial, e todos vão eleger as suas preferências. Então, com estas respostas em mente, procure recordar o tamanho do entusiasmo vivenciado quando pela primeira vez teve contato com estas manifestações artísticas. É disto que eu quero falar.
Um dos acontecimentos mais marcantes deste nosso mundo é saber que mesmo algo ter sido inventado, ou produzido há cem, duzentos, quinhentos ou mais anos, ela possa despertar todos os dias este mesmo entusiasmo. Explicando. Você pode ter assistido ao filme “X”, ouvido uma música “Z”, incontáveis vezes, mas alguém poderá estar tendo o primeiro contato, neste instante.
Pensei nisso ao imaginar o “mundo de novas coisas e situações” que estará a disposição de meus netos que tem toda uma vida pela frente. A cada dia eles se encantarão pela primeira vez com tudo o que eu já presenciei dezenas, centenas de vezes.
Isto acontece com todos os novos seres humanos que estão nascendo ou vão nascer. Sentirão o encantamento da “pela primeira vez” no circo, no zoológico, chupando sorvete, vendo o arco-íris, pulando a onda do mar, dentro do avião, ouvindo Mozart, tomando chuva. Ao escolher uma cor, um time de futebol, ou o sabor do pastel, e quando ficar numa fila enorme para ver seu grupo musical preferido.
A humanidade age desta forma. E que bom que seja assim!