Marina P. Rolim

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Marina Rolim
Nascida em Piracicaba/SP a 30 de Junho
E-mail: marina_poetisa@yahoo.com.br

Formação:

Faculdade de Pedagogia de Mogi das Cruzes
Curso de Administração Escolar – Américo Brasiliense – Sto André/SP
Curso de Formação do Prof. Primário – Sud Mennucci – Piracicaba/SP

Membro da Acad. de Letras, Artes e Ofícios – Frei Gaspar da Madre de Deus – S. Vicente, 2008
Membro da Acad. de Letras da Grande S. Paulo –  Cadeira Martins Fontes, 2002
Academicus Praeclarus – Clube dos Escritores – Piracicaba, 2000
Membro da Academia Piracicabana de Letras, 1987
Membro da UDEMO – Sto André
Membro do Lions Clube – Sto André/Campestre

Antologias

• Tamises 3,4,5, 6,7 e 8 – Revista da Academia de Letras da Gde S. Paulo, 2002 a 2010
• I e II Congresso Paulista Comunitário de Letras – Mov. Médico Pta, 2008/9 – Santos.
• VIII e IX Antologia – A Lua e a Pena, Santos
• Grupo de Poetas Amigos 2011, 2007,  2005, 2003, 2001, S. Vicente
• Antologia de Poesias – Prof. Sebastião Ferraz de Campos – Bragança Paulista, 2002
• Força Motriz – CLIP – Piracicaba, 1993
• Liracicaba – Piracicaba, 1991
• Mil Poetas Brasileiros – Porto Alegre, 1990
• Zero Hora Poesia,1983
• Os Poetas Estão Chegando – Ed. Soma, 1979
• Antologia Livre Espaço, 1983
• Antologia Piracicaba – Vol. 1 – 1960

Premiações

• 1º. Lugar – Concurso Nac. e Internacional de Poesia (Lilia A. Pereira da Silva), 1998
• Menção Honrosa no 2º. Concurso Nac. da Colmeia Literária – Poesia, 1998
• 1º Lugar – Concurso de Poesia – Campo Limpo Paulista, 1986
• 3º Lugar – Concurso Ribeiro Couto – UBE, 1963
• Menção Honrosa, Concurso de Prosa e Poesia (Diários Associados, 1964)
• 18 Poetas Novíssimos de S. Paulo – Seleção de Sérgio Milliet – Revista Visão,1964
• Menção Honrosa – 2° Concurso Nac. da Colmeia Literária – Poesia “Canções”
• Projeto Via Verso – 6° Concurso Nac. de Poesia de Ourinhos – Poesia “Metais”
• Concurso Nac. de Poesia Taba Cultural – Rio de Janeiro – Poesia “Descoberta”
• 3° Concurso Nac. de Poesia Francisco Igreja – RJ – Poesia “Consequências”

Atividades

• Repórter cronista e colunista social dos jornais News Seller – (Diário do Gde ABC), 1963/1967
–  Colunista Social de “A Tribuna” de Sto André, 1967
• Membro do júri dos Festivais ABIC de Poesia nos anos: 1983/86/92/93/94/95/96/97
• Membro do júri do 1º Concurso de Poesia da Casa da Palavra Sto André, 1994
• Saraus, em Centros Comunitários de Sto André, 1994

Recitais Atuais

• Jogos de Nudez – 8ª Semana de Letras “Senador Fláquer”, 1995
• Jogos de Nudez – Recital com 35 poemas em comemoração aos 40 anos de publicação de poesias em jornais
• Livraria Alpharrabio – Mai/1996
• Associação dos Func. Públicos de Campos do Jordão – Set/1996
• Centro de Professorado Paulista – Capivari – Out/1997
• Clube dos Escritores de Piracicaba, 1998
• Casa do Médico – Piracicaba, 1998

Citações

• Biblioteca Municipal de Sto André, 2004 – pág. 131
• História da Literatura em Sto André de Tarso de Melo, 2000 – pág. 75/6.
• Literatura e Memória, 2000 – pág. 65 a 71
• Poetas Piracicabanos, de Carlos Moraes Júnior, 1994
• Mirassol – Estruturas e Gravuras,1983 – pág. 297/8
• Homens e Coisas de Mirassol, 1960 – pág. 179 a 180
• Novas Pág. Otimistas, de Ariovaldo Corrêa, 1957 – pág. 297/8

Publicações

• Jogos de Nudez – Poesia, 1996
• Segredos Quase Secretos – Poesia, 2001
• Momentos do Poeta – S.Vicente, 2001
• Reminiscências – Poesia, 2011


BIOGRAFIA

Reminiscências (Poemas) – 2011


 DISCURSO

Digníssimo Presidente da Academia de letras da Grande São Paulo,
Digníssimas autoridades,
Ilustres acadêmicos,
Caros professores,
Senhoras e Senhores.

É para mim uma  honra das maiores ocupar a Cadeira numero 15 cujo patrono é a riqueza  do grande poeta Martins Fontes. Ao ser admitida como acadêmico, terei com um dos meus objetivos, colaborar para a formação do espirito poético. Que os amantes da poesia façam de sua inspiração o jardim das mais belas flores que são os sentimentos mais apurados.

Tudo farei para o engrandecimento do sodalicio. Sou profundamente grato ao saudoso progresso, acadêmico Nicolla Tortorelli, que se lembrou do meu  nome propondo-o à Academia de Letras da Grande São Paulo. Sou feliz por que meu patrono é o poeta José Martins Fontes.

‘O rouxinol de Santos”

Médico, Silvério, pai de Martins Fontes nasceu em Aracaju, Sergipe. Formou-se em Medicina no Rio de Janeiro, em 1880. Mudou-se para Santos onde instalou seu consultório.

Casou-se com dona Isabel (Bebé) de Andrada Martins, de tradicional família santista.

Seu primeiro filho nasceu na Chácara dos Martins em 1884, no dia 23 de Junho e recebeu o nome de José Martins Fontes ( Doutor Zezinho ou Yeyé, entre os familiares). O casal teve outros seis filhos.

Aos 16 anos, também foi, como o seu pai, estudar Medicina no Rio de Janeiro. Formou-se em 107. Foi um Médico que fez de sua profissão um sacerdócio, sempre consolando e confortando.

No Rio freqüentou os saraus da Confeitaria Colombo, onde poetas reuniam-se. Ali realizava-se palestras e encontros literários, como nos cafés de Paris.

Lá conheceu Olavo Bilac, seu grande amigo e admirador, que tanto o animou na poesia.

Este dizia “Fala-se no exagero de Martins Fontes, mas o que para ele reivindico é a sua desconformidade, o excesso, otransbordamento, a inundação”.

Sua admiração por Bilac, fazia acompanha-lo como um discípulo. Bilac referia-se a ele como “o maior de todos os poetas”.

“O que admiro é sua forma perfeita, magistral. Parnasiano admirável. O parnasianismo deslumbrava-o porque encerrava a perfeição sobre-humana”.

Foram amigos de Martins Fontes: Coelho Neto, Raimundo Corrêa, Goulart de Andrade, Capristano de Abreu, Guilherme de Almeida, Raul Pompeia, Bastos Tigre, Guimarães Passos, e até mesmo Machado de Assis.

Emilio de Menezes, perguntou a Bilac, após uma reunião, quem era o rapaz                           que acabara de sair.

“- É o fontes. Uma das mais brilhantes inteligência da nova geração.

• Fontes?

• Não. Cachoeira e do Marimbondo em tempo de chuva”.

PERSONALIDADE

Estatura baixa, sangüíneo, atarracado, cheio de corpo, olhar penetrante.

Bondoso, simples, sábio como os caiçaras. Criatura envolvente, apaixonante, arrebatado pela vida, pelo amor.

Exagerado em suas atitudes, nas conferencias, em tudo o que escrevia.

Cabelos castanhos, ondulados, palheta chique. Olhos azuis. Terno impecavelmente branco. Cravo vermelho na lapela. Fisionomia de grande bondade.

Voz vibrante, aveludada.

Gênio alegre, comunicativo. Bom humor, simpatia. Carisma. Alegria explosiva, cheia de maluquices.

Fazia amigos com facilidade, tinha conversa inteligente, rima fácil. Compunha versos na hora.

Era muito ligado à família. Visitava a mãe diariamente, dizia:

“- Tudo o que eu sou, a minha mãe devo. Tudo o que eu sei, devo ao meu pai”.

Amava as crianças, sempre estava cercado por elas. Amava os pássaros, os animais.

Temperamento irrequieto. Romântico. Sonhador, dizia:

“- Nada mais sou, trovador, naturalista do que festivo e bom Um “tie-fogo” santista”.

Adorava o excesso, o perigo, o singular. Amava as estrelas, o luar, os coqueiros.

Foi considerado “a encarnação da poesia brasileira, por suas obras literárias”.

Aprendeu com seu pai:

“-  Nunca pedir e sempre recusar”.

Médico

Durante dois anos, após a formatura, trabalhou no Acre.

E ainda, em Santos, no centro de Saúde, na Santa Casa da Misericórdia, na Beneficência Portuguesa, Diretor do Hospital Guilherme Álvaro, Diretor de Saúde, Médico do Serviço Sanitário, trabalhou na Cia. Docas, trabalhou com Osvaldo Cruz no saneamento da cidade, durante o desabamento do Monte Serrat prestou serviços enormes, no meio da lama chorando, durante a epidemia da gripe espanhola (1918) percorreu todo o litoral a pé a cavalo ou de barco ajudando os necessitados, no seu receituário estava impresso: “Consultório Médico e Cirúrgico dos Pobres”; Consultas grátis “Nunca distinguiu classe social para tratar seus pacientes. Só cobrava as conferencias que fazia. Ela sempre teve só o necessário para viver. Praticou em hospitais de Londres, Paris, Viena, Berlim; Comprava remédio para os pobres, sempre tinha palavras de carinho para com os doentes, levava-lhes flores, tinha uma história improvisada para contar-lhes, as receita famosas são conhecidas como: Amor e luar para as mulheres histéricas, Comédias de Moliére para os neurastênicos, receitava Baudelaire para os doentes.

Chegava as sete da manhã na Beneficência Portuguesa de Santos e era uma festa, alegre, abraçando os doentes. Era pontual e metódico nas repartições onde trabalhava. O primeiro paciente que tratou no Acre e curou de um ferimento no olho exclamou

• Como o senhor é bom!

E o lema de Martins Fontes durante a sua vida foi “Como é bom, ser bom”.

Amores

Casou-se em Paris, com Ana Luiza Netto ( Dona Nicota) em 1914. O Casamento durou pouco.

Num bonde encontrou, Rosa Maria de Morais ( Dona Rosinha) que estava passando férias em Santos. Tinha 16 anos. Ele com 32. Foi visita-la em São Paulo e passaram a viver juntos até o final da vida dele, durante 23 anos.

Em 1916 Martins Fontes viajou para a França, onde desquito-se de Nicota.

Também foram seus amores: Alice José Bernades, que não se casou com ele, porque o pai, muito rico impediu. E a declamadora Maria de Loudes Teixeira.

Temas

Culto à Mulher, as manifestações dos sentidos, Aromas de Frutas, Flores, A Exuberância das matas, era extremamente musical no ritmo das palavras, dava atenção especial a leveza, a velocidade da vida, a detalhes: uma folha, uma plantinha, cantou as praias, pedras, rochedos, seus poemas incentivam o respeito, a preservação da natureza, gostava de palavras terminadas em : AL, e IZ, a poesia de Martins Fontes cultua a língua portuguesa o amor a sua gente, a sua terra.

O Termômetro

Quando se formou e voltou para Santos, com muita poesia ouviu de seu pai:

-“Poesia é sobremesa, menino. Voce precisa é de carne e pão. Não é com raios de luar que se pagam contas do armazém. Vá comprar um termômetro”.

A BONEQUINHA

Uma  menininha estava internada, com uma doença incurável. Um dia, muito pesaroso lhe perguntou que presente poderia dar-lhe.

-Uma  boneca.

Ele saiu comprou e entregou a menina, que logo morreu e foi enterrada  com a bonequinha.

VIAGENS

Martins fontes esteve algumas vezes na Europa e conheceu vários países: Portugal, Espanha, França, Grécia, Inglaterra, México, Estados Unidos entre outros.

TÍTULOS

Martins Fontes Cavaleiro do Amor, da Arte do Ideal.

Pertencia a Academia de  Ciências de Lisboa Portugal concedeu-lhe a Gran-Cruz e a Comenda da Ordem de  São Tiago, da Espada.

Era cavaleiro na Espanha, membro de instituições na Holanda, México, Bélgica, foi nome de projeção nacional e internacional, além de poeta foi contista, ensaísta, conferencista, convidado a ocupar a vaga de Bilac na Academia, não se interessou. Mais tarde quando quis ocupar a vaga de Osório, saiu derrotado.

LIVROS

Deixou mais de setenta livros de poesias, contos, memórias, estudos científicos.

Verão- 1º. Livro,1917

Boêmia Galante. As Cidades Eternas Rosicler. Volúpia. Escarlate. A Fada Bom-bom. Schaharazade. A Flauta Encantada. Sombra, Silêncio e Sonho. Nos Rosaes das Estrelas. Paulistania. Guanabara. I Fioretti. Sol das Almas Canções do Meu Vergel.

Obras Póstumas: A Canção de Ariel. Calendário Positivista. Nos Jardins de Augusto Comte. Indaiá.

Teatro: Arlequinada. Partida para Cythera.

Conferencias: A Dança. O Mar. No Templo e na Oficina. O colar Partido. Terras da Fantasia.

Prosa; Decameron. Nós, As Abelhas. Fantástica (crônicas).

CAPELA

Sobre a  garagem de sua casa montou um escritório, seu refúgio, onde escrevia. Lá estavam a biblioteca, moveis antigos, a maquina de escrever. Um retrato de seu pai, outro do grande amigo Goulart de Andrade e outro do Positivista, Augusto Comte.

Este lugar onde escrevia ele chamava de A Capela.

MORTE

Martins Fontes faleceu aos 53 anos, em 25 de junho de 1937.

Morreu em um dia vento noroeste santista, que ele adorava, ao que parece, de infecção generalizada, ou de ataque cardíaco, provocada por um pêlo encravado no peito, que ele pediu ao seu barbeiro que arrancasse.

Naquele tempo, ainda não se descobrira a penicilina.

Ao seu lado, Ranulfo Prata, seu amigo disse:

‘- Cessou a ebulição”.

Martins Fontes está enterrado no Cemitério de Paquetá, em Santos.

Para acompanhar seu funeral, saíram as ruas mais de 30 mil pessoas, emocionadas, segundo  o pesquisador e biografo, Rui Calisto.

Ainda hoje, no dia de sua morte, faz-se a Romaria dos Cravos, numa visita anual e coletiva ao cemitério.

“Quem o conheceu, nunca o esquecerá, porque Martins Fontes pertence à legião de mortos que vivem, disse Jardim da Silveira.

Finalizando, apresento saudações aos ilustres acadêmicos, ao Presidente Dr. Rinaldo Gissoni, pela minha posse, e agradecimentos a todos que me honram, neste auditório, pela sua presença.