Simone Alves Pedersen

Patrono: Vinícius de Moraes
Cadeira 25


BIOGRAFIA

Simone Pedersen, de Vinhedo, SP, é formada em Direito e escritora por amor. Publicou  39 livros para crianças e adultos, em prosa e poesia. Tem livros no PNBE, PNAIC, Catálogo de Bolonha e Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil., além de Primeiro lugar no Prêmio da UBE – RJ nas categorias Literatura Infantil e também Contos (adultos).

Atualmente é mestranda na PUCCAMP, em Educação – Literatura Infantojuvenil e faz especialização na Faculdade de Educação da UNICAMP, em Psicologia da Educação.

Site: www.simonepedersen.blogspot.com
Email: s.pedersen@uol.com.br


BIBLIOGRAFIA

Para crianças:

A Vila Felina, Editora Horizonte, 2010
Coleção Pápum – poetando e desenhando, Editora Komedi, 2010
A Vila Encantada, Editora In House, 2010
O Conde Van Pirado, Editora In House, 2010
Sara e os óculos mágicos, Editora In House, 2010
Coleção Fuá – riscando os animais, Editora In House, 2010
A galinha que botava batatas, Fundação DorinaNowill, normal e Braille, 2012
A mosca destrambelhada, Caki Books, 2012
O sequestro da borboleta, Caki Books, 2012
Dinossauros, índios e versos, Caki Books, 2012
Poemas Minimalistas, Editora RHJ, 2012
Um estranho no reino das formas, Módulo Editora, 2012
O domador de Cometas, Módulo Editora, 2012
O curumim poeta, Editora Duna Duetto, 2012
Cai ou não cai – haicai e animais, Editora Avis Brasilis, 2013
Sofia solta pum, Editora Avis Brasilis, 2013
A bicicleta amarela, Editora Avis Brasilis 2013
Sofia soltou pum… De novo!, Editora DorinaNowill – normal e Braille, 2013
O mistério do porquinho, Editora DorinaNowill – normal e Braille, 2013
Nas asas da poesia, Editora DorinaNowill – normal e Braille, 2013
Trava-miolos, Editora DorinaNowill – normal e Braille, 2013
A gralha azul, Editora DorinaNowill – normal e Braille, 2013
Tropicou … Complicou, Editora RHJ, 2013
Poemas minimalistas – Inglês, Editora RHJ, 2013
Poemas minimalistas – Espanhol, Editora RHJ, 2013
Poemas minimalistas – Alemão, Editora RHJ, 2013
O segredo da Vila Sinistra, Editora Avis Brasilis, 2014
O Lobo Vermelho e a Chapeuzinho, Editora Avis Brasilis, 2014
Tati detetive: A galinha que botou uma batata

Para jovens e adultos:

Fragmentos & Estilhaços – contos, crônicas e poemas, Editora In House, 2010
Colcha de retalhos, Editora Worldartfriends, Portugal – poemas, 2010
Que mico, Editora Celacanto – crônicas para jovens, 2012
Flor do Deserto, Editora Celacanto – poesia, 2012
O tango da Vida, Editora Paco – contos, 2012
O tango da Vida 2ª edição, Editora Celacanto – contos, 2012
Meu mundo, Editora Celacanto – crônicas, 2012
A menina da favela, Editora Celacanto, romance, 2014
Mare escolher viver (coautoria), Editora Celacanto, romance, 2013
Maria decides tolive (coautoria), Editora Celacanto, romance, 2014


 Pronunciamento de apresentação de Simone Alves Pedersen, na sessão de posse da Academia de Letras da Grande São Paulo, proferido pelo Acadêmico Antônio Roberto de Carvalho.

Ilustríssima Acadêmica, Senhora Gioconda Labecca, Digníssima Presidente da   Academia de Letras da Grande São Paulo;
Digníssimas Autoridades presentes;
Distintos Acadêmicos presentes;
Senhoras e Senhores.   

Em belíssimo e inspirado artigo publicado no oitavo número da Revista Tamises, sob o título Cenário de Percepções, onde discorre sobre a banalização dos valores morais e chama a atenção dos poderes constituídos para a consolidação das normas de respeito e humanismo, nosso querido e saudoso companheiro de ideais, doutor Rinaldo Gissoni, fundador e presidente, por 28 anos, da Academia de Letras da Grande São Paulo, assim se expressa:

“…

Talvez, uma Academia de Letras possa, ainda, incluir no seu desiderato o compromisso de se antepor à barbárie de quem é contra as reformas de civilização. Não seja a voz dos Acadêmicos a clamar no deserto, mas do alto da montanha. Contra o desastre cultural querem estar os membros das autênticas Academias de Letras, resistindo na trincheira do pensamento contra a investida das tribos devastadoras do bem e do belo. Essas tribos são como os tsunamis que passam, mas os imortais serão como as luzes das estrelas, que embora distantes, permanecem.”

Pouco tempo depois, nosso magistral poeta e escritor deixava o mundo da materialidade para se unir a outros magnânimos literatos que tantas inspirações nos enviam desde a esfera imponderável da espiritualidade, onde, como luzes de estrelas radiantes, permanecem.

Permanece, sem sombra de dúvidas, o nosso querido Gissoni no sacerdócio da sua nobre criação literária, emitindo luzes de pensamentos inspirados, de esperanças renovadas, de coragem e bom ânimo para que os ideais que nortearam a fundação deste Sodalício possam também permanecer, fluindo luzes em meio à degradante sombra anticultural que tem desafiado a permanência das ideias verdadeiramente edificantes em nossa sociedade.

É com alegria e profunda emoção que testemunhamos a permanência das conquistas desta Academia fundada pelo doutor Gissoni, sob a impecável presidência da não menos talentosa e competente poetisa Gioconda Labecca, que tão bem o sucedeu. Graças à sua incansável atuação, o trabalho iniciado há mais de 30 anos nada perde em qualidade e e capacidade de realização.

É por intermédio deste trabalho que esta Casa Literária tem recebido homens e mulheres comprometidos com os nobres ideais que impulsionaram a sua edificação. Escritores, escritoras, poetas e poetisas de talento, como a companheira Simone Alves Pedersen, que a partir desta data, merecidamente, passa a integrar o quadro dos imortais da Academia de Letras da Grande São Paulo.

Simone Pedersen nasceu em São Caetano do Sul, viveu por um tempo no exterior e hoje reside em Vinhedo, interior de São Paulo. Conheceu a literatura por meio das obras de Monteiro Lobato, quando criança, e até hoje relê os livros desse consagrado escritor. Participa ativamente de concursos literários, tendo conquistado inúmeros prêmios no Brasil e no exterior.

Possui textos publicados em dezenas de antologias de contos, crônicas e poesias. Escreve para jornais, revistas e diversos blogs literários. É autora, dentre outros, dos livros infantis, integrantes da Coleção PáPum: Poetando e desenhando, Vila felina, Vila Encantada, Sara e os Óculos Mágicos. Da Coleção Fuá, os livros: Riscando os Animais e Conde Van Pirado. Publicou também Colcha de Retalhos, obra em versos voltada para o público adulto e Fragmentos e Estilhaços, coletânea de alguns textos selecionados em concursos literários no Brasil e em Portugal.

É membro da Academia Metropolitana de Letras, Artes e Ciência; da Academia Poçoense de Letras e Artes; da Academia Cachoeirense de Letras; do Clube dos Escritores de Vinhedo e é também Delegada da União Brasileira de Trovadores daquele município.

No livro de sua autoria, Fragmentos e Estilhaços, encontramos o belo poema Fome de Vida, que fala da poesia como um verdadeiro alimento, sem o qual o poeta simplesmente não sobrevive:

Acumulo livros nas estantes
Meu refúgio me espera
Quando a realidade se exaspera.
Sem saber por onde ir,
Eu fico.
Fecho a porta, cerro as cortinas
Lá fora passa a vida
Aqui dentro não há relógio
Não há espelhos
Só a poltrona
Onde me sento
Voo nos versos…
De poesia me alimento.

E, nesta mesma obra, num trecho do conto aparentemente autobiográfico, Conchas do mar, Simone Pedersen relata:

“Eu sempre digo que minha alma mora no passado, em São Caetano, com minha família. Parece que só lá ela descansa.
Acho que na infância a alma suspira.
Durante a vida adulta, a alma está sempre lutando.
Lutando pelos filhos, lutando pelo companheiro, lutando pelos ideais. Conquistando a felicidade tão amargamente.
Crianças não lutam, sonham.
Crianças, mesmo que as circunstâncias sejam difíceis, são felizes.
Quando a realidade é dura demais, crianças encontram forças na imaginação.
E nós adultos deixamos os pés no chão.
Nunca nos permitimos levitar até o arco-íris. Nunca nos permitimos acreditar. E o tempo passa. A infância fica cada vez mais longe. Cada vez menor. Até que não conseguimos mais enxergá-la.
Até que nossa alma só enxerga o que pode vir.
…”

Seja bem-vinda, escritora e poetisa Simone Pedersen. Vamos resgatar a menininha romântica que passeava pelas ruas de São Caetano, de mãos dadas com os pais. A menina doce que delirava degustando as obras de Monteiro de Lobato. A menina que cresceu, tornou-se mulher, esposa, mãe, trabalhadora, mas que nunca abandonou a capacidade de sonhar, utilizando para a consecução das suas obras, a matéria-prima dos sentimentos, provindos da fonte inesgotável do coração sensível da “criança-poeta” que habita eternamente em sua alma.
Traga, companheira, a sua arte, o seu talento, a sua inspiração e venha juntar-se a nós. Tenho certeza de que, da esfera de luzes onde se encontra, o nobre fundador desta Academia de Letras aplaude entusiasticamente este momento de fraterna acolhida.
Que Deus a inspire, abençoe e proteja em todos os dias da sua vida!

Antônio Roberto de Carvalho
Cadeira 29


Pronunciamento de Posse de Simone Alves Pedersen à Academia de Letras da Grande São Paulo, em 29 de março de 2012, na Cadeira 25, Patrono Vinícius de Moraes.

Ilustríssima Acadêmica Sra. Gioconda Labecca, digníssima Presidente da Academia de Letras da Grande São Paulo;
Ilustríssima Sra. Maria Terezinha Dario Fiorotti, Presidente da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, neste ato representando o Excelentíssimo Sr. Dr. José Aurícchio Júnior, Prefeito Municipal de São Caetano do Sul;
Ilustríssimo Sr. Dr. Adauto Campanella, representando o Senhor Sidnei Bezerra da Silva, Presidente da Câmara Municipal de São Caetano do Sul;
Ilustríssimo Sr. Norberto Comune, Presidente da Academia de Letras, Artes e Ciências de Vinhedo;
Dignos escritores da referida Academia de Letras, Senhores Benevides Garcia e Conrado Amstalden;
Dignas autoridades presentes;
Distintos acadêmicos presentes;
Senhoras e Senhores.

Agradeço a presença dos amigos que vieram de Vinhedo nesta importante noite que marca a história da minha vida com luz e alegria.

Por último, agradeço a minha família que aqui se encontra: minha mãe, Ivete,  meu irmão Rogério e cunhada Salete, sobrinhos, primas e amigas de infância e de toda uma vida.

Estar aqui hoje tem uma importância indescritível. Foi aqui, exatamente nesta quadra, que estudei e conclui o primeiro grau, nessa escola estadual Bonifácio de Carvalho. Aqui conheci o primeiro teatro, a primeira biblioteca e escrevi minhas primeiras linhas. Eu me lembro como se fosse ontem, da coleção de livros de Monteiro Lobato, com capa dura na cor vermelha, que emprestei da biblioteca municipal, livro após livro, quando tinha nove anos de idade. Naquela época, poucos tinham livros em casa, não existia Internet, e as pesquisas eram feitas em extensas enciclopédias Barsa, quando não retirávamos o material na biblioteca e passávamos a tarde toda montando cartazes e textos sobre o tema, tomando café com leite e comendo bolo quente. Ontem faz quase quarenta anos. Ainda sinto o cheiro de pão de queijo saído do forno nos intervalos aqui, nessa escola, cada vez que aqui venho, à ALGRASP. Para mim, este chão é sagrado. Aqui nasceu minha vida.

Mário Quintana diz que: “Não importa que a tenham demolido: a gente continua morando na velha casa em que nasceu”. Morei em tantos lugares, mas foi aqui que meu mundo foi desenhado.

A Academia de Letras da Grande São Paulo nasceu em 1981, quando eu deixava o Bonifácio e iniciava o segundo grau no Alcina Dantas Feijão. Ao longo desses 30 anos de existência, tem prestado serviços à sociedade, difundindo a literatura e o gostar de livros. Monteiro Lobato disse que um país não se faz só de homens, mas de homens e livros. A ALGRASP colabora com nosso país com seriedade e dedicação por parte de seus prestigiados acadêmicos. Sinto-me honrada em participar desta academia e prometo empenhar-me com muita dedicação.

Entre tantas emoções que me abraçam neste momento, receber Vinícius de Moraes como patrono é a que mais me afeta: pela admiração e pela responsabilidade. Todos conhecemos o trabalho do “poetinha” carioca, como era conhecido, com seus sonetos inesquecíveis. Um artista de tamanha sensibilidade, que atravessou mundos com sua poesia, atingindo pessoas em diferentes países, diferentes culturas, origens e idades. Encantou adultos e crianças. Acredito que Vinícius encantou até anjos, com sua poesia ingênua e original.

Ele nasceu em 1913 – teremos seu centenário no ano que vem -, e a partir de 1930 criou obras inesquecíveis para literatura, teatro e música. Quem não se lembra do poema infantil “O pato” – Lá vem o pato, pato aqui, pato acolá… Do soneto que foi musicalizado “Pela luz dos olhos teus” – quando a luz dos olhos teus e a luz dos olhos meus resolvem se encontrar… Ou ainda do poema “Tristeza não tem fim, felicidade sim…”

O poetinha nos deixou em 1980, mas sua extensa obra é eterna. Seu amor pelas crianças marcou não só sua literatura infantil, mas pode-se observá-lo em poemas como “Rosa de Hiroshima”– Pensem nas crianças, mudas, telepáticas… Pensem nas meninas cegas, inexatas…”.

É muito significativo ter um patrono que escrevia também literatura infantil, por ser a área em que mais tenho publicado. Vinicius de Moraes não fazia poesia – ele era poesia e transformava em poesia tudo que olhava, tocava ou criava.

Este discurso será breve porque me foi muito difícil redigi-lo. Não que eu tenha dificuldade em escrever, mas pelo simples fato de saber que vocês estariam aqui comigo hoje, para ouvi-lo. As memórias dançavam em frente à tela de computador, e as únicas palavras que eu realmente sentia necessidade de escrever eram Obrigada por estarem aqui hoje e por fazerem parte da minha vida.

Finalizo com um poema do nosso querido Vinícius de Moraes:

TOMARA
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais…”.

Boa noite!

Simone Alves Pedersen


Todas as noites, quando a Madrugada chega para acordar o Mundo, eu abro uma fresta na janela e espio um poema pousado no telhado da vizinha. Ele espera, pacientemente, todas as Onças sumirem pelo Bosque a busca de sangue quente. Quando avista a última pinta desaparecer, ele olha para minha casa e sorri para mim. Voa lentamente, piruetando como bailarino, e pousa na minha mão já estendida. Cuidadosamente eu o trago para dentro, tiro algumas penas soltas que se transformam em palavras. Ele sorri novamente. Não sente dor, as penas soltam-se como pensamentos livres que durante o dia estavam presos na minha torre. Em uma folha branca, eu colo uma por uma. Cores contrastantes, cores complementares, cores quentes e cores frias. O poema canta versos sem rimas, que como serpentes caminham por indefinidos caminhos. Desenho segredos e desejos. Chaves e cadeados. Torres e grades. Colo somente um lado de cada pena. Para que os versos possam voar livres um dia. Basta uma brisa mais forte e serão levados ao céu, onde felizes nunca mais serão presos, soltos, colados ou vistos. Livres, deles abraçados surgirá um rouxinol que voará cantando sem jamais pousar, até que caia de exaustão e a Onça Pintada o encontre no Bosque. Olhos nos olhos, Predador e Caça. Futuro e presente. Vida e Morte. Medo e Desafio. A Onça se deitará para que o rouxinol seja levado em suas costas. Nem a Onça, nem suas Pintas, terão coragem de enfrentar um pequeno Rouxinol que um dia foi verso corajoso e se entregou a Brisa sem perguntas ou bagagem.