Gioconda Labecca

Filha de Humberto Labecca e Iria de Resende Labecca, descendentes de italianos. Sua mãe foi professora na cidade de Campanha e aposentou-se por lá. Teve treze irmãos, todos falecidos. Seus primeiros estudos foram feitos em Campanha e formou-se professora em Varginha, Minas Gerais, no Colégio dos Santos Anjos, onde sua tia Irmã Adelaide era freira.               

Desde muito cedo revelou um extraordinário talento para a composição de poesias. Seu primeiro poema foi publicado no “São Lourenço Jornal” quando contava apenas treze anos de idade.

Após a aposentadoria de sua mãe, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, à procura de melhores condições de estudo para os filhos.

Tendo conhecido pessoalmente o Presidente Getúlio Vargas, episódio relatado no livro “Voltando ao Passado”, foi nomeada como Investigadora no Depto. Federal de Segurança Pública, desde que era seu desejo trabalhar na Polícia.

Após dois anos como Investigadora, prestou concurso para o Ministério da Fazenda, no Depto. Administrativo do Serviço Público (DASP). Sendo transferida, posteriormente, para a Receita Federal, onde se aposentou.

Nessa época, ocupava suas noites ministrando aulas de dicção e oratória, conciliando o trabalho no Ministério da Fazenda com os estudos.

Noiva do Oficial da Aeronáutica Antônio Firizola, vivenciou a terrível tragédia de perdê-lo num desastre aéreo, como relatado em seu livro “Voltando ao Passado”.

No rico ambiente cultural do Rio de Janeiro, envolveu-se com a intelectualidade, participando de vários grupos literários, notadamente, com o grande poeta general Arnaldo Damasceno Vieira, Presidente da Sociedade de Homens de Letras do Brasil, que a introduziu no meio literário, assim como com o poeta Manuel Bandeira, que a considerava a melhor declamadora de seus versos.

Sua estréia foi com o livro “Trinta Mensagens de Amor” lançado pela mais conceituada editora da época, dos Irmãos Pongetti.

O sucesso deste livro foi celebrado por muitos críticos literários que a comparavam a Olavo Bilac. Foi considerada a “Poetisa do Amor” pelo desassombro de seus versos. O conceituado crítico Henrique Pongetti, citaria Omar Khayyam dizendo: “Respeito o amante que geme de felicidade. Detesto o hipócrita que murmura orações”.

Após esse início auspicioso, seguiram-se mais vinte e um livros, ao longo dos anos, entre poesias, trovas, haicais e sonetos, evidenciando sua enorme energia criadora que não dá mostras de exaurir-se tão cedo.

Casou-se em segunda núpcias com com o Oficial da Marinha Eduardo G. de Castro e com ele teve um filho. Lamentavelmente, perdeu seu esposo para o câncer em 1974.


Bibliografia

Trinta Mensagens de Amor (Poesia) – 1954;
Hino Matinal  (Poesias) – 1955;
Cânticos (Poesia) – 1956;
Cantilena (Trovas) – 1956;
Appassionata (Sonetos) – 1966;
Sonetos Escolhidos (Sonetos) – 1970;
Ecce Homo (Sonetos) – 1970;
A Incofidência Mineira (Trovas) – 1972;
A vida do Zé Cachorro (Sátiras) – 1973;
De Olhos Fixos no Gethsêmani (Sonetos) – 1976;
Vendo a garoa cair (Trovas) – 1976;
Brasil dos Meus Sonhos (Poesias) –  1977;
Metempsicose (poesia) – 1980;
Deus, a Força Cósmica que Rege o Mundo (Mensagens) – 1985;
Abandono (Sonetos) – 1986;
Ao Som de uma Flauta Doce (Trovas, sonetos e Haicais) – 1994;
Contemplação (Poesias) – 1996;
Coração dos Corações (Sonetos, Trovas e Haicais) – 1997;
Conte Histórias Recitando (Poesias) – 1999;
Voltando ao Passado (Contos) – 2000;
Sonetos (Sonetos) – 2003;
É assim que o diabo gosta (Versos satíricos) – 2007;
Presença (Sonetos) – 2002;
Quando Renasce o Amor (Trovas e Haicais)  – 2002;
Trovas da Madrugada (Trovas) – 2009;
Réquiem para Saudade (Trovas e Sonetos) – 2011;
Fome (Poesia Descritiva) – 2012;
Trovas do Amor Ausente – (Trovas) – 2013.


Do livro Sonetos…

EXÓRDIO

Abre este livro meu leitor amigo
co’a alma limpa e o coração bem puro…
— Vem solitário, caminhar comigo
e junto a mim tu estarás seguro

 

Pelos Jardins caminharei contigo
e verás coisas belas, te asseguro,
e terra azul, no chão florindo o trigo
e a lua branca iluminando o escuro

 

Nossa estrada será plena de flores,
no ar os suavíssimos odores
dos mais raros perfumes de Paris.

 

— Nossas almas em franca transcendência
diáfana, sutis e só essência
compreenderão que é fácil ser feliz.


 SEMPRE TUA

Não penses, não, querido, que algum dia
eu possa desprezar o teu amor;
Passem homens por mim em romaria
que hei de amar-te, talvez, com mais ardor.

 

Não sintas, pois, assim, tanto temor
desta que é toda sonhos e euforia,
quando em teus braços cheia de fervor
canta sonetos de melancolia.

 

Só tu encerras o que eu quero tanto,
ninguém tem mais talento e mais encanto,
nem mais saber, nem experiência.

Venham todos os homens e os conjuro,
pois a ti dei meu sentimento puro,
minh’alma, meu amor, minha decência.